
Muito cedo,
Amoreira recebe
seus convidados matinais.
Não era para o lanche,
porque era passada
a época de seus frutos.
Aconchegaram-se sob as folhas,
variadas espécies de pássaros
colorindo seus galhos.
Começou a sinfonia
desarticulada que parecia
afinação de orquestra.
Aos poucos foram silenciando!
Cada um tomou seu posto
e disparou seu canto.
Um de cada vez,
até que o sol esquentasse o dia.
Cantaram naquela manhã, inúmeras sinfonias!
Sem convites para o concerto,
Sem convidados no chão,
O espetáculo durou pouco
Como chuva de verão.
Sanhaço,andorinha, bem-te-ví e sabiá...Apresentaram-se no lugar!
Amoreira sem seus frutos, agradecida se curvou,
ao vento bem matreiro que os seus galhos soprou.
Desejava também ele, que a brisa refrescasse
os galhos da amoreira, para que a sinfonia nunca acabasse.
