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quarta-feira, 2 de julho de 2008

Rio Abaixo


Rio Abaixo
Treme o rio, a rolar, de vaga em vaga...Quase noite. Ao sabor do curso lentoDa água, que as margens em redor alaga,Seguimos. Curva os bambuais o vento.Vivo, há pouco, de púrpura, sangrento,Desmaia agora o Ocaso. A noite apagaA derradeira luz do firmamento...Rola o rio, a tremer, de vaga em vaga.Um silêncio tristíssimo por tudoSe espalha. Mas a lua lentamenteSurge na fímbria do horizonte mudo:E o seu reflexo pálido, embebidoComo um gládio de prata na corrente,Rasga o seio do rio adormecido. (Olavo Bilac)